terça-feira, 2 de maio de 2017

PELE


Pele
Tapete tátil
Altamente volátil
De fácil acesso

Só te peço
Que pense antes do tato
Contato em processo
Que toque com cuidado

domingo, 2 de abril de 2017

TANGRAM


Quero discutir ideias abstratas
Sobre a pedra,
Concreta,
E já com ela armado
E com a mira certa
lançar uma hipótese
No vazio dos vasos
Para montar nos cacos
Um tangram de fatos
Ordenar acasos.

CIRCO NO DOMINGO

Desisventei minhas certezas
Derrubei as fortalezas
Atrasei as correntezas
Dos relógios

Montei o circo no domingo
Eu sou palhaço 
Eu sou ridículo
Que nem uma carta de amor

Eu vou entrar na gruta escura
Eu vou ser verbo e ser escuta
Mas, por favor, vem, me procura
Pra eu poder ser por você todo esse amor.

NÃO DESISTA DO SEU TESÃO


Não desista do seu tesão
Diz o pixo no coletivo
O princípio riscado à risca
O risco do risco impreciso

O destino é só condução
Pague o preço salgado, passagem
Mas não desista do seu tesão
Pra poder chegar no ponto: viagem.

quinta-feira, 30 de março de 2017

FILOSOFIA


Filho da maçã
E da serpente
Filho da vontade
E da semente
Da verdade plantada num canto da mente
Da semente do encanto que brota na gente
E nasce
Conhecimento
Pau pra toda obra
Cimento
Fogo que aquece mas queima
Conforto e desalento.
Mente prenha
Fogão a lenha
Cozinhando uma ideia, um dilema, um poema.
Pra raiar o sol                        
No nascer do dia
O filho
O fogo
O fim.
Filosofia.

terça-feira, 7 de março de 2017

AZUL DA COR DO MEU DELÍRIO


Azul da cor do meu delírio
A minha mente sobe aos céus
Pra quê chapéu se a consciência
Voa solta por aí

Azul da cor do meu delírio
O meu mergulho é aqui
No mais profundo inconsciente
Em minha mente eu molho o pé

Azul da cor do meu delírio
Qual seja o vento ou a maré
Viver o gosto delirante
De poder ver como se é


domingo, 5 de março de 2017

PASSATEMPO


Não consigo comer seu tempo na distância
Na irrelevância da ausência me como as tripas
Passatempo para o tempo da presença
Para comer seu tempo lento
Eu tanto tento
Meu tempo coelho
Tatuei a sua carne no espelho
Em pintura pura, crua e completa
Espelhei na sua carne tão desperta
Os meus anseios,
Tempo feio,
Ansiedade


CORTE


Um corte tão profundo que caiba todo o mundo dentro
Um mundo tão imundo que caiba um corte desatento.
Um corte é só um corte
A carne que é a morte
A faca é só a faca
E a mão que corta a carne fraca é só.
Nem por romance
Nem por poesia
Reforce a ideia do corte
Que corta a luz e o curso dos dias
Que transforma o peito quente em carne fria
Que encurta a cura, o riso e a alegria
Que não conforta
Não abre porta
Nem se suporta
Só vem
E corta.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

PARADOXO


Tudo e nada.
A espada cravada no peito e o próprio peito.
No leito de morte
O parto.
O sexo.
Num ato reflexo descubro que o outro sou eu.
Descubro que o outro sou Deus.
Ateu gritando namastê.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

FORCA


Minha forca e minha força andam juntas.
Corda no pescoço, corda vocal.
Nó na garganta, pula corda,
Passa mal.
Acorda, recorda,
Cordão umbilical.
Na grande corda,
Eu dentro ou fora,
Carnaval?
A cor da dor
De cor no peito.
A cor amor
Também, amarrada.
No acordo, em coro,
Das minhas próprias discordâncias,
Me encurto de mim em distâncias:
Minh'alma armada.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

CIDADE CINZA


O cuidado do jogo do meu corpo no mundo é um exercício de contato. 
Agora, nesse instante exato, faço um pacto com meu silêncio, e o meu vazio é stencil, mundo spray na cidade cinza.
A voz da verdade mingua e se transforma num
sussurro, muro calado. Meu pé minha verdade firma, sobe e desce ao chão, o mesmo chão, completamente diferente.
Sempre em frente, o meu verbo é minha rima. Ação e reação, nesse momento tudo é porta. Se minha fala o vento corta, esse meu mundo papel em branco. 
Meu muro, mundo branco, não cinza, num verso eu mancho.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

CARANGUEJO


Quero um pedaço de lua, com gosto de queijo, feito do seu leite do seu seio.
O seu querer sem receio, seu beijo.
Quero que me chame de casa e te fazer de morada,
Quero o seu cafuné de garra.
Quero sua carne macia, sem casca, pelada.
Minha vontade vira água em seu desejo,
Caranguejo.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

OLHOS DE VIDRO



Meus ossos não são de vidro. Nem meus olhos vidrados no vidro do espelho. No espelho, eu. Duvido. Todo de vidro, assim, por inteiro. Sou ou viro? Apavorado me viro, vidraça quebrada. Vivo. O menino no espelho está vivendo a vida errada? A verdade envidraçada é um quadro. Me abro do avesso, me vejo no espelho. invertido. E logo me vem a voz, veloz. Me sussurra um conselho. Ordiv ed oãs oãn sosso suem. Crack.

NOSSA VOZ


Minha voz enche o peito e vaza
O meu peito, apertado, explode
Minha voz, que é vontade, grita
No meu grito, o meu canto pode

Pra trançar um novo discurso
Um novo percurso, história
Pra mudar o rumo do curso
Nosso conhecimento, memória

E, no meu canto, eu contemplo
Quem tanto tempo escondido
Sofrimento vira arte
Se cria e parte em novos sentidos

E, se eu falar, você responde?
Pra trocar, minha voz te acessa?
Grito, repito, você me ouve?
Pra dialogar, quem dita a regra?

É pra dizer eu tenho um sonho
É pra lutar risonho
Você reage ou só suporta?
A nossa voz, e vida, importa

E gritando os foras certos
Poder chegar mais perto
Nosso desejo imperativo
É grito coletivo!