segunda-feira, 15 de agosto de 2016

PASSARINHO PEQUENO


 Duas montanhas, vizinhas na sua distância. Um vazio, um quase encontro, um espaço que só passa passarinho pequeno. As duas, distantes na sua vizinhança, endereço eterno que a giganteza de montanha não deixa mudar. Teimosia de gigante. Brincando de encarar esperando para ver quem vai ceder primeiro: mexer, remexer e dar uma pirueta. Pirueta de montanha é coisa bonita de se ver.
 Talvez se faz-se terremoto. Uma erupção para fundir as duas rochas magnânimas num beijo quente e molhado, (ops) pastoso. Um profeta -ou um atleta-, para encurtar o hiato da expectativa, os quases e os talvezes. O milagre poderoso, levantar o peso da dúvida: o amor move montanhas, montanhas movem-se de amor?
 Óbvio que não é do feitio de montanha explodir por nada (estes são modos de vulcão), muito menos trocar ideia com crente ou desportista para depois sair se tremendo, sem mais nem menos, ali no meio do oceano. Então jogam de encarar, sem pisque, pisco ou piscadela, olho no olho e nada no meio. A não ser que passe um passarinho. Mas pequeno. Bem pequeno. E olhe lá.

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