segunda-feira, 18 de setembro de 2017

TELACÉU


Celulares pontilhistas
Listas de mercado online
Lã de laços fracos, frouxos
Rosas, minhas antenas rijas
Giram em transla e rota e transe
Troncos sem raiz e ramos constam
Corpos de fibra óptica rara
Raso de poço fundo espelha
Pelos de se sentir o mundo cortam
Cores de corar o cosmo em coro
Cura de doenças de proveta
Gametas novos do velho fim.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

TIJOLOS NA LAJE DA LÍNGUA


A boca baba
palavra molhada
Mascada na boca
Água no feijão
A bola de meia
A bola do baba 
Embola um verbete
Sem ter confusão
No som do sotaque
O batum do batuque
Com mais d'um trambique
A sentença na mão
Os neologismos
São novos tijolos
Na laje da língua
Linguagem que pulsa
Tum
Tum 
Tão.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

CASULO


Peito
Corpo
Quarto
Apartamento
Prédio 
Condomínio

Desfaço em camadas
Protejo em paredes
Estou em reformas.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

OCASO


Unhas compridas arranham a carne macia
Cores vermelhas arrancam a tarde vazia
Arrancam a tarde do dia

Se por do sol do sofá da sala
Me por eu só no teu seio céu
Enrubescer
Tenro como um som de Rubel
Ao meu bel-prazer

Diluir no oceano laranja
O meu amar solar
Sem lar
Alojado bem firme em você

Um caso, acaso, ocaso.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

BICHO


O bicho, na ponta da caneta, sangra
O bicho-eu que não fala e que nem anda
O bicho-monstro que samba
Na minha cabeça
Corda bamba
Com seu salto alto afiado
O bicho-feio, firme, forte e armado
Sabe de cor e salteado
Recitar o meu silêncio
O bicho que não marca calendário
E nem vem de horário
Marcado
Só marca a mente
Agita o peito
E feito Midas às avessas
Tudo que toca é defeito
O bicho que não move
O bicho que não vive
O bicho que não ama
O bicho, na ponta da caneta, sangra.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

SETE SÉTIMOS


Sete sétimos de mim
Querem você
Cê tem noção do que isso significa?
Se tento tanto, acabo em prantos
E no final a conta toda se complica
Nessa fração, eu me desmancho
Parte em parte, partiu o meu querer
Mas oito oitavos
E nove novos
De mim
Querem
Um
Inteiro
De
Você.

domingo, 20 de agosto de 2017

GOSTAR NUM SUSSURRO


No meio da praça uma estrela
Por cima de ti minha perna
A torre da igreja observa
Entre eu e você uma fresta
Por onde o vento frio atravessa

Pra gostar num sussurro
E se tiver um susto
Eu saio no murro
Levanto e corro
Ou brado um urro pedindo socorro

Do homem dos dentes de prata
Espero da língua uma faca
-Revejo na mente os meus planos
Reconto nos dedos os meus anos-
E a mão trás das costas disfarça
E de supetão ele saca

Segura sem jeito uma lata
Na ânsia duma nota ingrata

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

RISO OU CHORO


O seu rosto parece o começo do barulho de um bebê
E eu não sei dizer se é riso ou choro
Eu não sei dizer se eu fico ou corro
Eu não sei dizer se eu vivo ou morro

Eu só sei falar de todas as coisas que eu não sei dizer
Até poder gritar tão alto 
Até poder calar o peito

E eu não sei dizer se é defeito ou se é perfeito
Se só vou descobrir deitado no meu leito de morte

Ou depois?

Eu só vou tentando a própria sorte
Que eu não sei se é acaso ou destino
E cruzando o tempo velho
A verdade eu ilumino
Mais bebê fica o meu rosto de menino.



segunda-feira, 31 de julho de 2017

PRIMEIRA PESSOA


Eu te ignoro porque eu te conheço
Eu traço os limites que eu mesmo esqueço
Me visto de verso, sinto do avesso
Me sinto tão perverso quando visto gesso
Devoro o sucesso antes do começo
E eu mesmo nem reparo quando eu mesmo cresço
Só quando paro, olho e me reconheço.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

DEPENDE


Depende.
Depende do que?
Desprende.
Desprende de mim.
Esplêndido
Seria se:
Tivesse de pé,
Sem dedo nem ré,
Sem arre
Pendimento,
Pendência ou lamento,
Potência do momento,
Mas o processo é lento e...
Depende.